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domingo, 14 de agosto de 2011

Sorrow

Vou vos contar uma história.
Uma história um pouco diferente daquilo que vos estou habituado a contar.
Não se assustem, no fim explico.

"Era uma vez, um rapaz e uma rapariga que gostavam muito um do outro.
Fim."

Sim, já acabou. O que é preciso mais para a história (resultar) acabar?
Mas a pedido de muita gente, tenho que dar continuação.
Aparentemente não sabem que a vida é assim, e tenho que explicar tudo passo por passo, porque eu dou mais aos outros do que dou a mim. Mas isso já é outra história, e não vos quero maçar muito. Continuemos.

"Era uma vez, um rapaz e uma rapariga que gostavam muito um do outro. Falavam-se como se não houvesse um dia seguinte. Conheceram se por acaso, como acontece nos filmes. Mas a vida não é um filme, meninos.. Lembrem se disto.
Era tudo muito bonito, até a rapariga (digamos que se chama Maria) descobriu uma verdade horrenda sobre o Miguel (nome fictício.)
Revelou se, que Miguel tinha uma pessoa, tinha uma cara metade. Maria ficara devastada. Não dormia, não comia, não saía de casa. Maria gostava de Miguel, e isso era um facto, mas não o amava. (...)"

Era estranho, sabem? Maria gostava de Miguel, mas não o amava. Porque sofrer tanto então?
Desculpem pela interrupção. Continuando.

"(...) Maria, antes de ter descoberto que Miguel tinha uma cara metade, falava lhe muito, mandava lhe mensagens sempre que podia, falavam ao telefone sempre que podiam, mas nestes últimos tempos Maria desapareceu para ele. Miguel estranhou, não se tinha incomodado, mas estranhou, porque sabia que Maria gostava muito dele e não lhe deixava de falar do nada. Decidiu ligar lhe, ela não lhe atendia, mandava lhe mensagens. Sem Resposta.

Ela ignorou-o. Ele ficou zangado.. Começou a ficar frio, o coração dele estava a sentir coisas muito más, e ele não as conseguia controlar. Falava mal para a toda a gente, a sua vida mudou completamente. Passava as noites a ouvir musica e a chorar pela Maria. Tinham lhe dado tudo , e nunca lhe tinham tirado nada, até agora.
Ele tinha percebido porque Maria lhe tinha deixado de lhe falar, ele percebeu que era por causa da sua metade. A namorada de Miguel não consegui perceber o que se passava com ele, passava muito menos tempo com ela, já não lhe prestava tanta atenção.
Miguel já nem queria saber da namorada, sabia que ela lhe tinha tirado a Maria, a sua Maria.

Já não conseguia mais, Miguel desatou a correr para casa da sua namorada, bateu a porta com força. Ela abriu lhe a porta, e ele atirou se para a namorada com toda a fúria que tinha.
Tinha a mandado ao chão, Miguel começara lhe a apertar o pescoço e a gritar - Porque?! Vê o que me fizeste! Repara no que me estás a obrigar a fazer!

Passado 30 segundos, os 30 segundos mais dolorosos que Miguel tinha tido.
A namorada de Miguel estava morta. Ele estava sentado, com os olhos muito abertos a olhar para ela, não acreditava no que tinha acabado de fazer. Mas tinha que se por a andar, tinha que se mexer. Não podia deixar o corpo dela lá, e não podia ser visto a sair de casa dela.
Miguel estava em pânico, agarrou em tudo o que via a frente e mandou ao chão, para parecer que se tinha passado um roubo mal calculado.
Pegou no corpo da namorada e enrolou a num tapete, e arrastou a para o quintal das traseiras.

Entrou na garagem dos pais dela, sabia que o pai tinha um carro.
Miguel não sabia guiar, tinha 16 anos, nem pensara em tirar a carta.
Mas não tinha nada a perder, pôs o corpo na bagageira e arrancou.

Já tinha visto os pais dele a guiarem, a quando era mais novo perguntava muitas coisas acerca do assunto.

Tinha conseguido chegar a costa, com muito esforço e medo de ser apanhado.
Pegou no corpo enrolado no tapete e atirou o para o mar, com a cara cheia de lágrimas, com o coração quase parado, quase morto.

Foi para casa, pálido. Deixou lá o carro, já nem queria saber. A policia que o encontrasse, ele só queria ir para casa.

No dia seguinte, depois de tantos pesadelos, Miguel acordou.
Tinha dormido muito pouco, e o tempo que dormiu, dormiu mal, muito mal.

Tinha decidido ir a casa da Maria, tinha que arriscar e falar com ela.
Quando chegou, tentou acalmar se, tinha que falar com calma. Tinha que lhe explicar a situação. A mãe de Maria abriu lhe a porta. Ele perguntou pela Maria, disseram lhe que podia a encontrar no seu quarto.

- Sabes o que se passa com ela? Ela anda tão estranha.. Não tem comido nada, nem sei se dorme, andamos tão preocupados com ela.

Miguel tinha lhe prometido falar com ela, e tentar resolver o problema.
Quando entrou, Maria estava de costas e sem se virar pergunta lhe - O que estas a fazer aqui?

Miguel sentiu um aperto na garganta, por ela ter lhe respondido daquela maneira.
Ele explicou lhe tudo, explicou lhe porque falava com ela enquanto tinha namorada, explicou lhe o que sentia por ela, e por fim, explicou lhe o que tinha feito com ela.

De repente,um silêncio frio invade o quarto.

- Agora podemos estar juntos para sempre, não era o que querias? Nada nos pode separar agora. - disse Miguel quebrando o gelo.

Maria, sem perder a expressão de chocada na cara, não disse nada.
Apenas uma lágrima escapou lhe do olho..

Uma lágrima que lhe vai mudar o mundo, uma simples lágrima que não tinha que estar a escorrer a bela face de Maria. (...)"

Esta história não tem a ver comigo, nada disto se passou comigo.
Eu queria vos contar a situação que se passou comigo, queria mesmo.
Mas não consegui, não tive a coragem, e decidi inventar uma história.
Desculpem a minha falta de coragem, talvez um dia, quando tudo estiver bem comigo, quando já não tiver problemas. Aí, eu se calhar posso vos dizer o meu triste acontecimento.

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