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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Amigo de um pedrado (Anotações) Parte 2

A casa vazia, vazia de alma, vazia de espírito, só ele estava lá.
O nosso amigo pedrado.
Estava a dormir, ou melhor, a tentar adormecer. Estava a pensar na sua vida, e era exactamente isso que ele fazia todas as noites antes de dormir, pensava. Mas porque minto? Ele fazia o todos os dias! Como já tinha referido, era a sua droga, e ele não podia viver sem isso.
Para ele a vida era uma ilusão, nada do que ele via era real para ele. Ele sentia que tudo o que havia a volta dele era tudo uma espécie de criação para matar a mente dele.

Ele afastava se.

Ficava em casa com o seu vicio e sentia se feliz.
Ninguém sabia como ele se sentia. Parecia uma mulher, mudava de humor do vazio, mudava de opinião desse mesmo vazio. Ninguém sabia como era ter uma criatura agarrada ao corpo que não quer sair.

Quis saber mais

Já lhe entrei na alma, era tal e qual a sua casa.

Desarrumada
Nojenta
Bichos a andar de um lado para o outro

Não me espantei, percebi do que se tratava (era ingénuo na altura)

Quis falar com ele, não me deixou.
Quis ajuda lo, não me deixou
Quis que tratassem dele, não me deixou.

Tinha o perdido. Fiquei com a minha cabeça desfeita em bocados já para não falar do meu coração. Tinha os mesmo ideias e as mesmas ideias que ele.

Eramos para mudar o mundo. E alguém ou algo teve que se meter à frente.
Estou farto que se metam à frente dos meus ideias, estou farto que me estraguem os planos que eu tanto me matei a construir.

Ele não dizia do seu problema a ninguém. Ele mantinha se sozinho. Perdeu a ligação que tinha comigo.

Comigo e com o resto do mundo.

Tive que o descobrir sozinho. Fiz de tudo para ajudar, falhei. Cheguei demasiado tarde apenas.
A droga já tinha consumido o corpo, tal como o cérebro, já não o reconhecia.

Estava uma pessoa completamente diferente.

Fiquei assustado, saí de lá antes que me começasse a afectar. Tinha medo de me acontecer o mesmo, estava petrificado. Não conseguia tirar a imagem dele da minha cabeça. Estava me a corroer a energia, estava me a tirar a força de mim.

Mas se calhar o meu problema é não aceitar o facto de que pode não ser um problema.
Ele pode se sentir livre, sentir se ingénuo, criança outra vez.

Meu deus, como pude ser tão cego?

Podemo nos livrar de todos os problemas com o simples aperto de uma mão a esmagar te o corpo!

Não sentindo nada, avancei. Com receio de que fosse correr mal, dei um passo de cada vez para a imensidade do branco sufocante.

Acabo as minhas anotações a dizer que ele sempre teve razão.
Devia ter lhe dado ouvidos. Mas não era tarde. Já estava no auge do meu vazio, já percebi como ele se sentia. E ele tinha razão.

Teve sempre razão.

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