Lembro me muito bem do meu primeiro assassínio, foi em Dezembro, na altura do Natal.
O sangue.. O sangue dela espalhado pela neve, eu sabendo que tinha que fugir para não ser apanhado pelas autoridades, não consegui parar de olhar para ela, a sua voz ténue a pedir me misericórdia. Não podia demonstrar sentimentos, não podia nem uma lágrima derramar.
O meu trabalho não me permitia.
Há um certo tempo em que se habitua, como em todos os casos.
Mas há sempre um sentimento que não consegues controlar: a culpa.
Eu podia me explicar, podia dizer que a culpa não é minha, que não tive que seguir este caminho. Em vez disso, vou vos dizer o que é que a realidade quando se está num ramo complicado, como no meu.
A preparação, é a primeira e a mais importante coisa que se deve fazer antes de um "trabalho". As luvas, justas á mão, feitas do melhor couro preto. As luvas têm que ser bem apresentáveis, porque é com as mãos que vais executar. O fato.
Muitas pessoas pensam por causa desses filmes que os assassinos só têm um fato da Armani ou Gucci só porque podem, mas eu vou vos explicar a razão.
Tens que ir arranjado para o que vais fazer. Não se vai para um evento tão importante como a morte de uma pessoa e não se vai bem arranjado. Ninguém vai para uma igreja de fato de treino, percebem o que estou a dizer? Os "instrumentos" guardados numa mala empresarial, com todas maneiras possíveis de fazer para um coração. E por fim, a arma.
O melhor amigo do homem, a arma. Para todos existe uma, específica. Sempre amei a minha, uma Desert Eagle de calibre 50, preta com as linhas dobradas a ouro e uma assinatura de lado
"Omnia cinis aequat. - A morte tudo nivela"
Guardava-a cuidadosamente numa mala especial que comprei para a guardar, e acreditem que não é barato. Limpava-a sempre a seguir a um trabalho, como diz o código N º56
"Ter sempre a arma limpa, é o instrumento que representa a ti e à tua profissão"
Nunca conheci a pessoa que me dava os trabalhos, ou seja, alvos.
Ligava me dum numero desconhecido, ou então enviava me um mail pessoal. Sei que é uma mulher, pela voz parecia me uma mulher poderosa, que sabia o que estava a fazer, que não estava naquele cargo só por ter os olhos bonitos. Dizia-me sempre as coisas com clareza, se eu não percebesse algo do trabalho, tinha que ser eu a estudar, naquele ramo ninguém ajuda ninguém. Ages sempre sozinho.
Os alvos variavam, nem sempre era Barões da Droga, ou Empresários corruptos. As vezes era simplesmente vingança pessoal do cliente, nós é que ficávamos com a "culpa".
E nunca podias levar um (...) trabalho a peito, tinha que me mentalizar que era só um alvo, uma pessoa a silenciar. Nunca poderia pensar que mal é que aquela pessoa teria feito ao mundo para as pessoas quererem na ver morta? As vezes tínhamos que deixar assinaturas, pedidas pelos clientes, as vezes uma ultima fotografia, que seria a ultima coisa que o alvo via, ou então deixar um objecto pessoal da pessoa em cima do corpo, como uma espécie de aviso.
Os clientes nunca perceberiam que se uma das assinaturas corre mal, o prejuízo cai para os assassinos. Mas nós somos seres humanos, vemos dinheiro á frente e não queremos outra coisa. Para terminar, queria dizer ás pessoas para não se iludirem.
Para pensarem nas coisas como elas são e não como vos mostram. Vivam a vida a cada minuto, porque ela pode desaparecer em menos de um segundo.
- Entrevista a um Assassino.
Ultimas palavras antes de ser Morto por fuzilamento.
"The New York Times" Artigo Nº 12
Ultimas palavras antes de ser Morto por fuzilamento.
"The New York Times" Artigo Nº 12
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